Insensato Destino
Nesta semana dois fatos esportivos me marcaram bastante. E em ambos as contusões foram as vilãs. A primeira decretou o fim de carreira do maior tenista brasileiro de todos os tempos. A despedida de Guastavo Kuerten no Brasil Open foi emocionante e suas declarações condizentes com a de um verdadeiro ídolo, conforme escrevi no meu blog, o Cotidiano Ranzinza. A história de Guga merecia um desfecho melhor, mas o destino foi traiçoeiro e, infelizmente, o nosso ‘manezinho’ teve que abandonar o tênis precocemente.
O mesmo acontece com Ronaldo Nazário, que ainda não disse adeus, mas é nítido que o fim de sua carreira está próximo. Um dos maiores atacantes da história do futebol brasileiro, um verdadeiro Fenômeno que encantou o mundo e fez sucesso por onde passou teve que amargurar novamente outra lesão no joelho. Por ironia do destino, o atacante rubro-negro se machucou no estádio San Siro. O mesmo em que ele se contundiu gravemente, em 2000, quando jogava pela Inter.
As semelhanças entre Guga e Ronaldo (que – olha só outra coincidência – estão com 31 anos de idade) não param por aí. O tenista, nunca teve o seu talento reconhecido num país onde o seu esporte não é tradição. Teve sempre sua capacidade em dúvida, mesmo ganhando três vezes o Roland Garros e ficado no topo do ranking da ATP por 44 semanas.
O atacante, apesar de conquistar dois títulos mundiais pela Seleção Brasileira e ser eleito pela Fifa como o melhor jogador do mundo por duas vezes, além de ter sido artilheiro em praticamente todos os clubes por onde passou, sempre foi questionado pelo seu peso e sua conturbada vida amorosa.
Foi preciso que Kaká, atualmente detentor do posto de melhor jogador do mundo, fizesse uma declaração para que os méritos do Fenômeno fossem reconhecidos. “Ronaldo é o número 1. Na história do futebol brasileiro, depois de Pelé, vem Ronaldo”, afirmou o craque do Milan. Tudo bem que é um exagero, mas tem um fundo de verdade. Ele não está logo atrás do Rei do Futebol, mas com certeza é um ‘top five’.
Pensando em um nome de música que retratasse a agonia e o adeus desses dois gênios do esporte brasileiro, pensei em “The End”, do The Doors; “Prá Dizer Adeus”, dos Titãs e “Heroes”, de David Bowie. Mas acredito que os versos de Almir Guineto em “Insensato Destino” (Destino por que fazes assim? Tenha pena de mim, veja bem não mereço sofrer...) retratam o que deve estar passando na cabeça de Guga e Ronaldo que, se não tiveram o final de carreira que desejassem e merecessem, pelo menos serão tratados como ícones e lembrados para sempre como o melhor que o esporte pode produzir.