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sexta-feira, 6 de junho de 2008

Enchendo Lingüiça

QUE TIME É TEU?

Pô, galera. Vamos parar com essa de secar quem quer que seja. Estamos nos rebaixando ao nível da maior e mais medíocre torcida do mundo: a anti-flamenguista.

Estamos parecendo aqueles torcedores de merda que a cada semana torcem para um time diferente. E a gente adora isso. O Mengão incomoda!

Prefiro canalizar minhas energias na campanha "O BRASILEIRO É OBRIGAÇÃO"

O resto que se dane.

E o Flamengo? vai bem, obrigado. Aliás, muito bem!!!

Sigo na minha torcida pelo Mengão. Seguuuuuura, filho!!!!



Abraços a todos!

Tatá.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Enchendo Lingüiça

Mendicância entre amigos

Meus caros amigos. Antes de mais nada, quero me desculpar pela mancada de não escrever nada decente na semana passada. Com esse monte de feriado, acabei me enrolando e me confundindo.

Mas vamos lá. Eu tinha várias pautas legais pra hoje: Mengão no alto da tabela do brasileirão, finais do basquete, o pênalti do Edmundo, os reservas do Fluminense...
Mas eu tô tão injuriado com a roubada em que vou me meter amanhã, que resolvi encher lingüiça desabafando.
Na verdade me meteram nessa roubada. Serei padrinho de casamento.
Encaro isso como um insulto, um desaforo. Coisa que não costumo levar pra casa. E com o convite já veio o paradeiro de onde se encontra a famigerada listinha de presentes. Eu jamais faria isso com um amigo meu de verdade.
E a extorsão não fica por aí. Na festa do casamento sempre tem um tio bêbado metido a engraçado querendo te empurrar um teco da gravata do noivo. Eu já quebro o clima mandando um "pois não. boa noite" com cara de poucos amigos. Recentemente, no casamento de um primo da minha esposa eu me irritei com o cara: "e daí? o que eu tenho a ver com isso? casou porque quis! é assim que ele já quer começar a vida de casado? pedindo esmolas? cada um com a sua bronca! Quero ver se eu colocar aí minha conta de telefone vencida, se alguém vai pagar."
Depois vem o chá-de-panela, o chá-de-bebê... Eu sempre fui contra tudo isso. Me preocupei em montar minha casa antes de arrumar uma noiva e não pus filhos no mundo esperando que alguém os sustente.

Mais uma: quer me ver indignado? É quando eu abro um e-mail de um amigo, copiado pra mais trezentas pessoas, convidando para o aniversário a ser realizado no "bar tal":

"VENHA COMEMORAR O MEU ANIVERSÁRIO
SEU NOME ESTÁ NA LISTA, ESTOU CONTANDO COM VOCÊ"

Grande armadilha esse "nome na lista". Não é boca-livre não malandro, tem que pagar! Quando recebo um e-mail desses, sequer respondo dando os parabéns.

Não suporto essa mendicância na cara-larga. E pra completar, tô duro pra assistir ao Fla x Flu no domingo. Se os amigos toparem fazer uma vaquinha pra eu comprar o ingresso, tá valendo. Afinal, quando se trata de Flamengo, o interesse é maior que o orgulho. Ou, como disse Cazuza: "as idéias não correspondem aos fatos".

Um grande abraço a todos!


Tatá vai hoje ao Maracanãzinho assistir ao primeiro jogo do Mengão nas finais do basquete. Ele garante que tem cinco merréis no bolso e não precisará de nenhuma ação entre amigos para angariar fundos.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Enchendo Lingüiça


Desculpe a Nossa Falha

Amigos leitores, me perdoem! Na próxima sexta-feira eu prometo voltar com nova encheção de lingüiça.
Abraços do Tatá.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Enchendo Lingüiça


Tá perdoado!!!

Como já disse aqui outras vezes, futebol pra mim é diversão. É levar as crianças no Maraca e tomar cerveja com os amigos. Mas mesmo assim, confesso que aquela eliminação da Libertadores me deixou extremamente abalado. Fui mais um da grande Nação Rubro-Negra a acordar com uma imensa ressaca e uma tristeza enorme.

Mas não sou um cara rancoroso, nunca fui e não vai ser agora, beirando os quarenta, que vou cultivar tal sentimento negativo. Portanto, não só perdôo o América do México como acabo de me tornar um fã incondicional de Salvador Cabañas.

O gorducho é o cara!!! Ontem, o "Obina paraguaio" fez a festa contra o Santos. Por muito pouco não meteu o terceiro gol. E todos no mesmo estilo "chuta lá pra frente que ele se vira".

Nunca entendi a participação de times mexicanos na Libertadores da América, já que eles disputam a "Libertadores da Central". Mas tudo bem, agora eu quero ver esse time jogando a final no Maraca contra o Fluminense.

Por favor, me indiquem um site onde eu possa comprar a camisa número nove do meu novo ídolo, que já faz parte do meu time titular do botão. Barrou o Romário.





Tatá está confiante neste campeonato brasileiro e não vê a hora de voltar ao Maraca para vibrar com o Mengão.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Enchendo Lingüiça

A foto que fala










Mengão no topo, com o vento soprando a favor.




Tatá escreveu antes mesmo de saber de quanto o Flamengo ganhou do América do México.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Enchendo Lingüiça


Ainda bem que eu sou Flamengo

Tirando aquele tropeço em Montevidéu, quando perdemos para o Nacional por 3x0, qual foi a última derrota desastrosa do Mengão? Eu não lembro. Mas deve ter sido há quase um ano, quando freqüentávamos a zona de rebaixamento do Brasileirão 07.

• Enquanto o Mengão estiver na Libertadores (e será até a final, e ganharemos), cada jogo de volta será realizado no Maracanã. Pretendo ir a todos.

• Só falta parar com aquele pensamento pequeno a cada jogo de ida "um empate fora já é um ótimo resultado". O cacete!! mengão joga pra ganhar. OUVIU, SEU FÁBIO??!!!

• O gol de falta do Bruno foi ótimo para dar uma sacudida no time. Até o Obina se empolgou!

• Logo no primeiro jogo da decisão do brasileiro de 92, atropelamos o Botafogo. 3x0. Outra dessas no domingo seria um sonho!

• Como já disse aqui, não acompanharei nem pelo rádio os jogos finais do estadual. Assim como no ano passado, estarei trabalhando bem no horário do jogo. Assim como no ano passado, decidiremos contra o Botafogo. Bom presságio!!!

• E o basquete? Vai bem, obrigado.

• Ainda não ouvi, mas tô sabendo que a Nação vai cantar "Como é Grande o Meu Amor Por Você", do rei Roberto Carlos. Adorei! Nada mais apropriado. Bem que a diretoria poderia retribuir esse amor e dar uma reduzida nos preços dos ingressos.

• Marcinho não tem mesmo uma vaguinha de titular?

• A varanda do apê onde moro exibe uma bandeira do Mengão, hábito que vai se multiplicando a cada dia entre os cariocas. Mengão em alto astral.

• E o Joel? Vai mesmo ou está de migué?





A coluna de hoje é dedicada ao Fábio Martins. O Heróico único leitor desta coluna.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Enchendo Lingüiça


Espírito Esportivo (mas nem tanto)

Sou um torcedor da paz! Nunca levei à sério essas rivalidades de torcida. Rivalidade pra mim, é assistir ao jogo com o adversário ao lado, tomando uma gelada e sacaneando o coitado. Aí sim é legal. Esse é o verdadeiro espírito esportivo. E por isso mesmo, levo na boa quando o Mengão perde e o torcedor do time vencedor vem me alugar.

Esse camarada aí de cima é o Dario. Um cara muito gente fina. Trabalha na agência onde eu dava um trampo antes de me mudar para o Rio. Grande corinthiano.

Certa vez, naqueles idos tempos que não deixaram nem um pingo de saudade, quando o Mengão insistia em brigar pra não ser rebaixado, eu estava em casa assistindo a um Flamengo x Corinthians. Por mais que o Flamengo esteja na merda, eu sempre acho que vai ganhar. Então fiquei lá, naquela fé! Mas não durou muito e o Corinthians fez 1 x 0. Toca o telefone:

- Alô.
- Aeeeeeeeeeeeeeeee, cariocaaaaaaaaa... é Timããããooo!!!!
- Pois não, quem fala? (eu sabia que era ele, mas me fiz de bobo).
- É o Dario! hahahahahahah... Tá vendo o jogo?
- Tô.
- Aeeeeeeeeee!!! hahahahaha... cadê o Flamengo????

Levei na esportiva.

- É... tá certo... tenho que ouvir, né... fazer o quê...
- Falô, até mais!!!

E desligou.
Como assim "até mais?" será que ele tava achando que sairia um gol atrás do outro?
E saiu...

- Alô.
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA... VAI SER CHOCOLATE!!!! E BLÁ BLÁ BLÁ BLÁ...
- Tá bom, Dario... tá bom...

Aquele dia foi um inferno. Acho que o Corinthians meteu uns três. E o cara não só me ligava a cada gol, como também no intervalo e quando acabou a partida.

No dia seguinte, no trabalho, mais aluguel. E eu sempre naquelas: "beleza... parabéns... mereceram..."
E passou.

Na semana seguinte o Flamengo jogou com um desses times que só servem pra atrapalhar o campeonato. Um Figueirense ou Juventude desses aí. 1x0 pros caras e toca o telefone. Nem achei que era alguém pra me sacanear, não conheço nenhum torcedor desses times.

- Alô.
- HAHAHAHAHAHAHAH... FAAAAAAALA JOÃOZINHO!!!! TÁ VENDO O JOGO???

Cacete! era o Dario!!! Não acreditei que ele tava ligando pra me atazanar, mas não deu outra:

- Tô. Tô aqui vendo essa merda sim.
- HAHAHAHAHAHA... CADÊ O...

Interrompi na hora:

- Porra! vai tomar no seu cu! vai encher o saco de outro! vai à merda! VAI TORCER PRO TEU TIME, CARALHO!
- Calma, Joãozinho! logo você que leva na esportiva...
- Levo na esportiva mas não sou idiota nem saco de pancada. Tu é Figueirense (ou Juventude)? Então vai perturbar a puta que te pariu!

E desliguei.

No último Flamengo x Corinthians, eu já morando no Rio, quando o Finazzi fez 1x0 eu nem me importei. Veio o empate. E quando o Mengão virou eu liguei para o Dario, é claro! Eu tava lá, nem vi se ele falou alguma coisa. Mas deixei o celular pra cima e o coro de uma multidão gritando: "ÃO ÃO ÃO. SEGUNDA DIVISÃO!"

No dia seguinte, mandei um email pra ela somente com a frase. "é assim que se torce".

P.S. Meninas que me desculpem pelo palavreado.




Em virtude da agenda de trabalho, Tatá não vai sequer acompanhar pelo rádio os jogos restantes do campeonato carioca. Assistiu ao filme Ratatoullie como quem assiste a um filme de terror.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Enchendo Lingüiça

Minha estréia na Fla-Sampa

Em 1993 eu me mudei para São Paulo. Até então, com 25 anos de idade, eu nunca havia pisado em território paulistano. A adaptação foi muito difícil, mas pior efeito foi, sem dúvida nenhuma, viver longe do Flamengo.

Não tínhamos internet. Por muito tempo acompanhei o Mengão apenas pelos gols da rodada. Por muitas vezes apareciam jogadores os quais eu não fazia a menor idéia de quem eram.

Foi muito ruim mesmo, certa vez, numa crise aguda de abstinência, me piquei pro Rio pra assistir a um Fla-Flu. Passei duas horas dentro do Maraca e doze dentro de ônibus.

Ainda com a internet engatinhando, as coisas melhoraram muito. Era possível acompanhar as notícias diárias do Mengão, mas ainda assim eu era um rubro-negro sozinho na terra da garoa. Deixei de ir a muitos jogos do Flamengo em São Paulo simplesmente por falta de companhia. Melhor dizendo, fui a três: Corinthians 1 x 0 Flamengo (primeiro jogo do Casagrande vestindo o Manto Sagrado, contra seu ex-time), Corinthians 0 x 3 Flamengo (aquele memorável gol do "elástico" do Romário) e Lusa 3 x 0 Flamengo (esse eu nem quero lembrar).

Em novembro de 2005, num Palmeiras x Flamengo, eu estava decidido a comparecer ao estádio. A situação não era nada animadora, Mengão na maldita zona de rebaixamento. Mas com o Orkut, definitivamente, as coisas melhoraram. Comecei a fuçar e procurando por "torcida do Flamengo em São Paulo", logo achei uma comunidade chamada Fla-Sampa. "Opa! deve ser por aqui!" me animei.

Bati na porta, pedi licença e logo fui aceito na comunidade. Lembro-me que fui muito bem recebido pelo Alexandre, foi ele quem me deu as dicas do encontro que a moçada já estava organizando para aquele jogo.

Cheguei depois do combinado e a galera já estava lá dentro. Achei que ia, mais uma vez, assistir ao jogo sozinho. Mas foi só no primeiro tempo. Como bom anfitrião, o Alexandre me reconheceu e me chamou pra junto da torcida. Tinha uma galera, mas me lembro bem do Anderson Negão e do Leandro Presidente.

Ganhamos pelo placar sofrido de 1x0, gol do gringo César Ramirez, após o goleirão Marcos quebrar o nosso galho. Belo frango!

A partir deste dia a Fla-Sampa mudou a minha vida e me trouxe grandes amigos.

Fica aqui o meu registro e um convite a todos os demais colunistas do blog: Como foi o seu primeiro dia na Fla-Sampa? Lembram qual foi o jogo?




Tatá odeia ter que usar meias pra se proteger do maldito mosquito da dengue.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Enchendo Lingüiça

O batizado

1ª CERIMÔNIA DE ENTREGA DE FAIXAS NO O'MALLEYS

Galera, não podemos deixar o primeiro grande título da era Fla-Sampa passar em branco.

Domingo nascerá uma tradição!

Atenção, porque vai virar costume:

Sempre que formos campeões, formalizaremos a seguinte cerimônia:

1) No intervalo do jogo seguinte (nesse caso, o jogo de domingo contra o Atlético), elegeremos a faixa de campeão mais bonita (dentre as que aparecerem no bar...)

2) Sugiro que escolhamos uma criança flamenguista (filho de algum dos senhores, para simbolizarmos a longevidade e o futuro do Flamengo). Se, por acaso, não tivermos um mascote, que passemos a designar o detentor da faixa mais bonita para se apoiar em um banco ou mesa de modo que se destaque de todo o grupo. Segurará sua faixa nas mãos de maneira que todos a vejam.

3) Nesse momento, todos nós com sua cerveja levantada (ou refri), como que num grande brinde, cantaremos o hino.

4) Ao final do hino, a faixa será solenemente (leia-se: lentamente)colocada sobre o peito do rubro-negro. Aí é só fotografar, e gritar BI-CAMPEÃO!

Acho que vale a pena um bolinho e uns balões, como foi feito no aniversário do Flamengo no ano passado.

SRN

(Guilherme Nunes, Orkut 26/07/2006)

...................................

O texto acima se refere ao tópico do Orkut, que foi postado pelo Guilherme logo depois que o Flamengo conquistou o bicampeonato da Copa do Brasil, em 2006. Eu tava recém-chegado na Fla-Sampa e resolvi levar meus filhos para a festa. Os dois toparam, mas o Otto, na época com 3 anos, bateu o pé e condicionou a sua presença na festa:

- Só vou se for com a camisa do Palmeiras.
- Mas filho, é uma festa do Flamengo. Só vai ter gente com a camisa do Mengão...
Mas não teve muito jeito. Otto sempre foi genioso. E assim fui pra festa com meus dois filhotes uniformizados. O porco e o urubu.

Quase não prestamos atenção no jogo, fomos lá pra brindar a conquista da Copa do Brasil. E como estava previsto na programação, Igor e Otto foram condecorados com faixas. Cantamos o hino e algumas músicas, tava muito engraçada a cena. Aquele moleque com a camisa do Palmeiras cantando o hino do Mengão.

Tava engraçado mas eu precisava tomar uma atitude. Afinal, a responsabilidade de educar os meninos é minha. Tirei o Manto Sagrado que eu estava vestindo e pus no moleque. A galera foi ao delírio! Foi o batizado do Otto. O fato inusitado tornou-se marcante para a história da Fla-Sampa.

Ainda bem que naquela época não tinha a regra número 3 da Fla-Sampa: "É proibída a entrada de qualquer pessoa usando camisa de outro clube brasileiro que não seja o Flamengo."




Tatá tem uma camisa oficial do Treze da Paraíba. Qualquer dia ele vai pro Maraca com ela.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Enchendo Lingüiça

Maraca 0800

Domingo chuvoso, estréia de campeonato, adversário pequeno, ingressos mais caros e transmissão pela televisão. Ou seja, eu tinha tudo pra não ir ao Velho Mário pra prestigiar a estréia do Mengão rumo ao bicampeonato carioca.Mas, como um amigo meu me presenteou com um par de ingressos para assistir a pelada de camarote, a coisa muda de figura, né?Devidamente vestidos com o Manto Sagrado, eu e o Igor, meu filho de 7 anos, saímos de casa mais animados para o comes e bebes do que propriamente para o jogo.

Chegamos ao camarote. As poltronas que estavam reservadas para nós dois, não eram as que tinham melhor visão para o campo, mas em relação ao bar eram as mais estratégicas.Durante a escalação do time pelo telão, dei a minha primeira investida: salame, mini-pizza, queijos, torradinha com pasta de azeitona, cachorro-quente, esfirrinha e, é claro, uma latinha de cerveja bem gelada.

Afinal, o time era exatamente o mesmo do ano passado. Pra quê conferir os artistas do espetáculo? Igor foi de coca-cola, biscoito globo e balas. Enfiou umas quinze em cada bolso. Tudo muito bacana. Além da bancada farta de rango e da geladeira lotada, poltronas confortáveis, ar-condicionado e duas televisões. O garçom ficava ao meu lado. Era só eu olhar pra trás que ele me perguntava "o senhor quer mais uma cerveja? eu pego pro senhor." E assim foi. Mal eu virava a última golada, ele já vinha com outra fechada na mão. Depois da quarta ou quinta latinha, eu ameaço me levantar da poltrona e já fui abordado "não precisa levantar, senhor. eu pego mais uma pro senhor". Eu já doido pra acabar com aquela formalidade desnecessária de senhor pra lá, senhor pra cá, quebrei o gelo. "amigão.

Obrigado, mas eu preciso é mijar". Pronto. De "senhor", virei "amigão". Gol do Flamengo! Saltei da poltrona, me ajoelhei no corredor e abri os braços para o Igor que logo veio pra comemoração "GOL, PORRA!!!! É MENGÃO, C!#$%&*Pra repor a energia emanada na vibração, mais um ataque impiedoso ao mastigo. Peguei logo duas latinhas pra não dar trabalho ao garçom-meu-brother.Saiu mais um gol e logo depois acabou o jogo. Um cara pediu a atenção de todos e gritou: "Agora vamos sortear uma camisa do Flamengo. O garotão aqui (o Igor) vai tirar o papelzinho!"Antes que meu filhão abrisse o papel, fiz uma observação: "AÍ MOÇADA, SE SAIR MEU NOME NESSA PORRA, TÁ VALENDO HEIM!

Não saiu. O contemplado, assim como todos os outros convidados foram embora.QUASE todos. Eu numa larica desgraçada de tanto gritar e beber, resovi dar uma forradinha no estômago antes de voltar pra casa. Fiquei lá, me acabando enquanto ouvia a voz da moça do staff "o senhor pode ficar à vontade, viu?". Enquanto eu pilava um empadão de camarão com uma mão na boca, com a outra eu apenas levantei o polegar, agradecendo.

Na verdade ela queria ter dito "se o senhor não reparou, acabou o jogo, viu?" É hora de dar tchau! Igor foi me conduzindo pra fora do camarote. Num gesto de gratidão e reconhecimento, peguei cinco merréis (todo bêbado é gente boa!} e dei de groja pro amigão que retribuiu com um simpático "volte sempre".Mal nos afastamos da porta, meu filhão me pediu:- Paaaaaaaai, número um.- Porra, filho! porquê não fez lá dentro? Dá pra chegar em casa?Diante da negativa do meu pequeno, não pensei duas vezes. Voltei: toc toc toc... "o menino ainda pode dar uma mijadinha?". Aproveitei o ensejo e peguei a saideira.




Assim como o pênalti, Tatá acredita que boca-livre não é coisa que se perca. Uma das visões que lhe causou espanto na adolescência, foi a dos pelos pubianos da Cláudia Ohana.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Enchendo Lingüiça

Pai Futebol Clube

Meu currículo de pai não é pra qualquer um não. Talvez seja a única coisa que me faça bater no peito e afirmar com toda convicção "EU SOU O CARA!".
Já paguei todo tipo de mico por causa dos meus filhos. Por eles eu já cantei Roberto Carlos na festinha do Dia das Mães na escola, já dancei com o Ronald Mac Donalds no Hopi Hari e já vesti a camisa do Palmeiras numa pelada Pais x Filhos. Só não me fantasiei de Papai Noel, porque o porte físico não condiz. Tô mais pra duende.

Lembro de um domingo, logo cedo, meu sogro, a quem chamo carinhosamente de "meu véio", me ligou perguntando se eu queria ir ao jogo do Palmeiras. Eu não estava nem um pouco animado, mas meu filho Igor, na época com 5 anos, me escalou para o primeiro perrengue do dia:
- Pai, quero ir!
Fazer o quê, né? "tem que participar". E fomos.
Já no estádio, antes de subir para as arquibancadas, meu filho percebeu uma fila enorme de crianças uniformizadas (assim como ele) que estavam aguardando o chamado para entrar em campo com os jogadores. Perrengue nº2:
- Pai, quero ir!
E me ponho a esperar na fila, com umas cem crianças, aguardando o tiozinho a pô-las pra dentro. Já no portão de acesso aos vestiários, vi que o Igor tava nervoso. Deu um "tchau pai" e se picou lá pra dentro. Fui pra arquibancada pra ver a tal performance. As crianças começaram a pisar no gramado. Além das cem da fila, devia ter mais duzentas lá dentro. Mas coração de pai não se engana. Eu tinha certeza que acharia meu filho em campo. E achei! Em seguida vieram os jogadores.
Igor segurou na mão de um Zé-Ruela, camisa 10 e partiram pra tal foto que nunca sai no jornal.
Novamente desci até o portão para resgatar meu filho que voltou radiante:
- PAI, FOI MUITO MANEIRO!
E pulou num abraço de cumplicidade, daqueles que vão ficar pra nossa história.

Bola rolando. Uma peladinha sem maiores atrativos, 4x0 sem emoção. Mas vibrei fervorosamente a cada gol do Verdão, minha alegria era ver meu Porquinho feliz! Saímos do estádio empolgadíssimos cantando "eu-eu-eu! São Caetano se f @#$%".

E foi assim que meus filhos começaram a se interessar por futebol, torcendo pelo o Palmeiras. Eu nunca me preocupei com isso. Mesmo muito antes de eu pensar em voltar a morar no Rio de Janeiro, eu tinha a certeza de que o destino se incumbiria de corrigir esse pequeno desvio.

O que fatalmente aconteceu e hoje somos ainda mais felizes.




Tatá acha um absurdo pagar vinte pratas por uma geral no Maraca pra assistir um monte de Cardoso Moreira. Em forma de protesto, compra sem um pingo de constrangimento ou remorso vários produtos piratas, como camisas, bandeiras, bolas e outros badulaques. FlaTV nem pensar! Só se tiver como puxar um gato. Tem um camarada que é gari da Comlurb que lhe presenteou com um chapéu laranja da empresa.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Enchendo Lingüiça


Drops

• em 1976 fui ao Maracanã pela primeira vez. Não foi num jogo do Mengão, mas no histórico Fluminense x Corinthians - A invasão corinthiana. Meu tio tricolor passou lá em casa pedindo uma forcinha da torcida rubro-negra.

• 31 anos depois, meu tio retribuiu a força e me acompanhou no Flamengo x Santos, na reta final do Brasileirão 2007. Ficou encantado com a Nação: "rapaz... isso aqui é coisa de louco!".

• Desde que voltei a morar no Rio (Julho 2007), fui a quase todos os jogos do Mengão no Maraca. Sequer vi um empate. Ganhamos todas.

• Só vou na geral e com meus filhos (foto acima). E a camisa que o Otto (caçula) tá usando era minha, oficial de 1981.

• Adoro assistir jogo pela televisão na companhia do meu irmão. Eu do Rio e ele de Petrópolis, por telefone.

• Já fui gandula no Maracanã duas vezes.

• Quando a única opção de transmissão de jogo pela televisão é com a narração do Galvão Bueno, tiro o som da tv e ligo o rádio.

• Odeio o Galvão Bueno, mas adoro o programa "Bem Amigos".

• Sou apaixonado por jogo de botão.

• Glorinha torcia para o Treze da Paraíba.

• Meu pai tinha uma camisa do oficial do Mengão dos anos 70. Foi do Edu, irmão do Galinho. 18 nas costas, mesmo número usado pelo Obina. A camisa se perdeu no tempo... uma pena.

• Em 87, quando o Bebeto fez o gol da vitória sobre o Inter gaúcho, na final do brasileirão daquele ano, soltei um rojão de três tiros. Dois explodiram para o alto e um na minha mão. Quase perdi o dedinho e nunca mais cheguei perto de um treco daqueles.

• Em 92 eu vi a galera despencando das arquibancadas. Muito triste.

• Em 2007 vibrei com um gol do Zico no Maracanã, junto com meus filhos. Nunca imaginei que isso fosse acontecer. Muito emocionante.

• Em 1997 assisti a um show do Planet Hemp em São Paulo. No meio do show, alguém da platéia jogou uma camisa do Flamengo no palco. Marcelo D2 pegou a camisa e vibrou. Eu também!

• Em 2007 descobri que esse alguém da platéia era o Juba!

• Hoje (ontem) tem (teve) Mengão pela Libertadores, mas a coluna só vai pro ar amanhã (hoje). Acho que ganharemos (ou ganhamos?).




No intervalo do jogo Flamengo x Cienciano, quando o árbitro paraguaio se aproximou para descer aos vestiários, Tatá gritou da geral, bem perto da entrada do túnel: "HIJO DE PUTAAAAAAAAAAAAAAA". Até hoje não sabe postar sozinho no blog, para isso conta com o auxílio luxuoso do Fábio Martins.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Enchendo Lingüiça

O Enterro da Minha Avó

Minha avó era flamenguista. Pronto. É só isso que tenho pra falar do Mengão na coluna de hoje.

Era uma velha do cacete! Não recusava uma cervejinha gelada e era sempre a última a parar de dançar nas festas. Absolutamente divertida, de bem com a vida e sobretudo, com um senso de humor apuradíssimo. Era muito sarcástica.

Assim era a Adelaide.

Na festa de aniversário de 80 anos ela pediu: "quero uma foto com cada neto e depois quero que vocês mostrem para seus filhos. Não sei se ano que vem estarei aqui. Vai que o "Zé Maria" me chama...". Essa ladainha se estendeu pelos outros anos que se seguiram. E todo ano a gente tirava a tal foto. Na festa de 90 anos, a mesma história: "quero uma foto..." naquele ano ela foi interrompida pelo coro uníssono dos netos: "NÃÃÃÃÃÃO, VÓÓÓÓÓ!!! CHEGA, NÉ?".

E o "Zé Maria" a chamou, dias depois que ela completou 96 anos. Não foi surpresa, já estava há algum tempo internada com complicações pulmonares.

Eu tava morando em São Paulo, recebi a notícia logo cedo. Fui informado que o enterro aconteceria às 16 horas, daquele mesmo dia, no cemitério do Caju, Rio de Janeiro.

Resolvi ligar para o meu irmão (Felipe, que aparece na foto acima com a Adelaide), que era o xodó da vovó, que tava morando no Rio:

- Oi, Felipe. É o Tatá. Já tá sabendo da Adelaide?
- Tô. Você vem pra cá?
- Pretendo, mas vai ser foda. já são quase onze horas. Até eu resolver umas coisas aqui no trabalho, arrumar uma grana, me picar pro aeroporto... Não sei se dá tempo. Segura as pontas aí que eu vou ver se arrumo um jeito.
- Tá legal. Eu tô aqui em São Cristóvão ( AO LADO DO CEMITÉRIO), mas é rapidinho. Já já vou pra lá.
- Beleza. Se eu não chegar a tempo, enrola aí... faz qualquer coisa.

Consegui chegar no velório lá pelas três horas. Chora daqui, chora dali... e percebo que meu irmão nem havia passado por lá. Liguei novamente.

- Felipe...
- E aí? onde tu tá?
- Porra! eu é que pergunto! Tô aqui no velório. Consegui despencar de São Paulo pra cá e chegar antes de você.
- É, mas eu não tô de avião. Güenta aí. Guarda uma alcinha (do caixão) pra mim.

Comecei a ficar puto com aquela situação. Faltando quinze minutos para as quatro da tarde, o coveiro veio dar continuidade ao funeral e eu tive que suborná-lo com dez conto: "amigão, vai tomar um cafezinho que tá faltando um neto dela. Ele já tá chegando, quebra o galho." Não segurei por muito tempo e o féretro partiu. Liguei novamente:

- PORRA, FELIPE!!!
- Calma, tô chegando...
- Tá chegando é o cacete! Não dá pra esperar. O enterro vai acontecer sem você. Vou desligar o celular, e vê se vem logo!

Conduzimos vovó ao descanso eterno, com todas as honras de direito. Estávamos conformados, pois Adelaide viveu intensamente por muito tempo. Foi feliz, mas tava na hora.

Depois do enterro propriamente dito concluído, voltamos caminhando pelas quadras do cemitério, quando um outro funeral estava cruzando a nossa frente. Cordialmente paramos e esperamos. Era um cortejo fúnebre como qualquer outro, com muitas pessoas tristes. No final da fila, cabisbaixo, chorando copiosamente... o Felipe! Isso mesmo! Chegou atrasado e seguiu a primeiro bloco que passou achando que era o nosso. Ele vinha apoiado no ombro de um cara e com a outra mão, enxugava as lágrimas. Foi um sentimento muito estranho. Eu queria matar meu irmão! Já estávamos mesmo num cemitério. Seria apenas mais um. Quando ele me viu, se espantou. Até se mancar da gafe, quase perguntou "quem morreu aí?".

Pediu desculpas pra outra turma e veio a nosso encontro. Que vergonha! Eu tava muito transtornado com aquela cena patética dele chorando pelo defunto errado. Mas logo em seguida nos tocamos que não poderia ser diferente. Só mesmo no enterro da Adelaide pra acontecer uma dessas. Certamente ela devia estar rindo muito daquilo tudo.

Tivemos uma crise de riso, sem que falássemos nada. Apenas caímos na gargalhada. Glorinha advertiu: "meninos, comportem-se. Estamos num cemitério". Mas a gente ria cada vez mais. Saímos de lá, atravessamos a rua, fomos pra um boteco e prestamos a última homenagem à Adelaide, fazendo o que ela mais curtia na vida: Rir e beber.

"Bênça", Vó!



Adelaide adorava frases-feitas. Muitas inventadas por ela, todas com rimas. Quando alguém sentia um cheiro suspeito e perguntava "quem foi?", ela respondia na hora: "quem sentiu, do cu saiu"

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Enchendo Lingüiça


Flamengo x Peñarol
O jogo da minha vida

Quando o Flamengo disputou, pela primeira vez um título nacional em 1980 contra o galo mineiro, acompanhei o jogo com vários amigos pelo rádio. Como eu e meus irmãos éramos muito moleques meu pai achou melhor fazer uma festa em casa. Lembro que foi a primeira vez que roí todas as unhas. A cada gol do Atlético eu chorava, mas meu pai ria e falava: "caaaaaaaaaaaaalma...".
E, como todos sabem, ganhamos.

Depois daquele título, qualquer outro resultado que não fosse vitória por mais de dois gols de vantagem, eu considerava zebra. Eu não conseguia entender como existiam torcedores de outros times, já que o Flamengo era praticamente imbatível.
Foi naquela época que me tornei fã do Zico. Não só eu, como todo garoto flamenguista da minha geração. Passados quase trinta anos, me arrisco a dizer que aquela safra foi a última de jogadores dignos de idolatria. Jogadores apaixonados pelo clube.
Nunca mais veremos, por exemplo, outra declaração como aquela do Mozer, que o Rafael Carioca brilhantemente postou em sua coluna. Bons tempos!

Na Taça Libertadores de 1982, no jogo em que o Flamengo foi eliminado pelo Peñarol do Uruguai em pleno Maracanã, vivi um dos momentos mais emocionantes da minha vida, assim como nos dias em que meus filhos nasceram.
Por intermédio do radialista Gilson Ricardo, nosso amigo de Petrópolis, tive a oportunidade de ser gandula daquele jogo. Eu estava encantado. Subir o túnel e avistar a arquibancada lotada é coisa de louco! Segundos antes da bola rolar, o Gilson vem ao meu encontro acompanhado de um fotógrafo e grita, "corre! vem pra cá!". Zicão tava me esperando no círculo central para a foto histórica.
O empate era do Flamengo. No momento da foto, Zico me disse: "garotão, se fizermos um gol, tenha calma na reposição da bola". O Flamengo perdeu. 1x0, gol de Jair, um brasileiro, de falta.

Foi o jogo da minha vida. E me desculpem os que lamentam até hoje a desclassificação.
Pra mim, foi vitória!

Até hoje, João Tatá joga botão com a escalação: Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior. Andrade, Adílio e Zico. Tita, Nunes e Lico. Adora Os Paralamas do Sucesso e se caga de medo de rato.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Enchendo Lingüiça

Aquele gol do Pet...

Meu melhor amigo é vascaíno!

E antes que vocês me digam "pô, Tatá! tu tá mal de amigo", quero lembrar que, em dezembro passado no Maracanã, naquela peladinha-festa que o Zico promove anualmente, estavam na "Seleção dos AMIGOS do Zico" Edmundo, Marcelinho Carioca e Renato Gaúcho. Tá mal de amigo, heim Galo...

Mas eu tô falando do Marquinhos. Irmão de longa data, parceiro de estrada e de banda. É padrinho do Otto, meu filho caçula. Nos conhecemos na faculdade e hoje tocamos o trampo aqui no Rio de Janeiro.

Naquela final do estadual de 2001, eu e o Marquinhos morávamos juntos em São Paulo e acordei naquele domingo com uma grande preocupação: o que fazer pra agüentar esse cara caso o Vasco seja campeão? Tentei sair pela tangente:

- E aí, Marquinhos? E pro jogo de hoje? Que tal promovermos o churrasco da vitória? A gente chama a galera, assa uma carninha enquanto rola o jogo.
- CHURRASCO DA VITÓRIA??? Tá confiante assim? com platéia e tudo mais? riu e ironizou.
- Confiante não, muito pelo contrário. Mas hoje sai um campeão. Acho até que será o Vasco. E aí? topas?
- Vamos... se você quer...

Televisão e churrasqueira lado-a-lado, COMEEEEEEEEEEEÇA O ESPETÁCULO!!!!
Eu tava muito nervoso. Aturar o Marquinhos não é mole. MENGÃO 1 X 0! comemorei moderadamente, pois o resultado ainda era deles. Quando o bacalhau empatou, o vascaíno abraçou e beijou a televisão. Eu desejei muito que ele se confundisse e fizesse o mesmo com a churrasqueira. MENGÃO 2 X 1! Não esbocei a menor reação, o que causou estranheza no meu cumpádi:

- Foi gol de vocês...
- Eu sei, não sou cego.
- Não vai comemorar?
- Comemorar o quê? o resultado ainda é de vocês.
- Hehehehehehe....

Finalzinho de jogo e eu comecei a tomar providências para enfrentar o pior. Enchi a cara de cachaça. Mas eu precisava perder com dignidade. Propus um aperto de mão:

- Parabéns, essa vocês levaram.
- Não, não! Parabéns é o escambáu! Ainda não acabou o jogo. Vai secar o cacete!.

Agora quem tava nervoso era ele, que não tirava os olhos da televisão e recolhia as mãos, recusando o cumprimento. Eu tava relax. Completamente bêbado.

- Vai, deixa de ser viado. Toca aqui. O Vasco mereceu. Venceu o melhor.
- Pára! Não vou te dar a mão. O jogo ainda não acabou. OLHA LÁ! FALTA PRA VOCÊS!

Eu nem tava mais aí pro jogo. Não vi a tal falta. Insisti no aperto de mão e me espantei quando vi o Marquinhos de boca aberta, absolutamente imóvel, afônico e apontando pra televisão. Pensei: "já era. acabou o jogo e o cara teve uma convulsão". Enquanto eu ainda insistia no aperto de mão (bêbado não desiste...), olhei de rabo-de-olho pra televisão e lembro apenas dessa imagem que aparece aí no alto. Dessa forma mesmo, congelada. O mundo parou, a carne queimou... ficamos ali, imóveis. Ele tentando acreditar e eu tentando entender. Foi preciso meu sogro quebrar o silêncio: "é, João... é isso mesmo que você tá vendo. Pode acreditar. Mengão campeão!"

Nesse dia eu tive a prova que eu também sou o melhor amigo do meu amigo, pois eu no lugar dele teria enfiado a minha cabeça na churrasqueira. Saí correndo pelo quintal, peguei os copos de todos que estavam participando do evento e despejei-os sobre meu querido vice! Num gesto de vingança, fui em direção à televisão. Abracei e beijei a testa do Zagallo. Depois arranquei minha camisa e tentei colocá-la no Marquinhos. O máximo que consegui foi "encapuzá-lo". Joguei-o no chão e abraçados, numa cena que beirava a baitolagem, rolamos pelo quintal aos meus berros "É NOSSO, PORRA!"

A ele, só restou me acompanhar na bebedeira. Depois disso, só lembro da ressaca do dia seguinte.

Domingo tem mais Flamengo x Vasco e eu já tô pensando num churrasquinho de varanda.

Saudações Rubro-Negras!

Um grande abraço do Tatá.

O "Enchendo Lingüiça" de hoje é dedicada ao Yan, meu sobrinho que vai nascer hoje à noite. Seja bem-vindo, rubro-negro!





No jogo-festa do Zico, Tatá realizou um grande sonho até então por ele inimaginável: comemorar com seus dois filhos um golaço do Galinho de Quintino. Odeia dirigir e faz da bicicleta seu principal meio de transporte.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Enchendo Lingüiça

Brincadeira de criança

Fevereiro de 2007, sábado ensolarado em São Paulo. Flamengo e Madureira se enfrentaram em pleno Carnaval. Como não sou chegado à folia de Momo, resolvi dar uma chegada na Fla-Sampa com meus dois filhos.
Talvez tenha sido o menor público no Villa Bela, desde que a nossa turma se instalou por lá. Umas vinte pessoas no máximo.
O Mengão tomou uma chinelada histórica do Madureira por 4x1, mas nem doeu. Devolvemos o mesmo placar com direito ao caneco da Taça Guanabara.

Levei a mesinha de botão das crianças, para que eles me deixassem assistir a peleja em paz.
Como o jogo pela televisão tava muito ruim, resolvi jogar botão com os moleques. Desde a minha infância até hoje, sou apaixonado por jogo de botão. Fico horas jogando com meus filhos. Costumo dizer que é o Playstation lá de casa.

Mas o jogo tava muito ruim. Só dava Madureira. Meu grande amigo Edmar se aproximou da mesa e lançou o desafio:
- A de fora é minha.
- Só se for agora! respondi.
E assim como o Flamengo naquela tarde, as crianças não viram mais a cor da bolinha. Gentilmente ofereci os botões do Mengão e fiquei com o time do Galo mineiro.
- Vamos reeditar os anos 80! Combinamos.

Foi difícil ganhar do Edmar. O cara me deu um trabalho danado. O Mozer tava endiabrado, não errava um chute de longe. Mas a dupla Reinaldo e Éder deu conta do serviço.

Nossa partida tava equilibradíssima e tensa. Tinha mais gente olhando para a nossa partida do que prestando atenção na televisão. As crianças, coitadas... Nem lembro onde foram parar.

- Prepara, Mozer vai chutar.
- Tô preparado.
- GOOOOOOOOOOOOOLLLLLLLL !!!!!!!!
- Olha aí o Palhinha, lança Éder no ataque, vai arriscar sem ângulo. Prepara.
- Pode chutar.
- GOLAÇOOOOOOOOOOOOOOO!!!!!

Final: Galo 16x15 Urubu. Naquele dia, nada deu certo para o Flamengo. Nem no botão. Mas pra mim foi ótimo. Foi ali que comecei a me tornar um grande amigo do Edmar. Mais uma amizade entre tantas outras que fiz na Fla-Sampa.

E aí, parceiro?! Quando vai querer a revanche?

Saudações Rubro-Negras!

Um grande abraço do Tatá.

Mesmo que seja pelo rádio, Tatá sempre acompanha os jogos do Flamengo vestido com o Manto Sagrado. Adora se exibir vestindo uma camisa que ganhou do Zico, quando foi gandula na infância. Ama macarrão com salsicha.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Enchendo Lingüiça

A transformação

Todas às segundas-feiras, quando chego pra trabalhar, Dona Rosângela já está de pé na calçada, pronta pra mais um dia de luta.
Trata-se da faxineira que semanalmente vem dar um trato na nossa casa.
Dona Rosângela, uma negona, manda muito bem no batente. Extremamente educada, quase não fala. Mas sempre termina as frases com "senhor". O que chega a ser um exagero.
- Seu João, posso limpar a sua sala, senhor?
O que mais me cativa na Dona Rosângela, é que além de negra, ela também é rubro! Percebi quando passei a observar a forma carinhosa com a qual ela limpa o São Judas Tadeu que fica sobre a minha mesa. Um dia resolvi puxar assunto:
- "A senhora é flamenguista?"
- "Sou sim, seu João. Eu adoro esse Flamengo, senhor". E continuou trabalhando cabisbaixa como de costume.
No final do ano passado, na semana do jogo que nos classificou para a Libertadores, Dona Rosângela entrou na minha sala com um cafezinho. Agradeci e emendei:
- "A senhora vai no jogo domingo"?
- "Não, seu João. Tenho muito medo, senhor"
- "Mas o Maracanã tá tranqüilo, é jogo de uma só torcida, tenho ido com a minha família"
Pronto! o espírito rubro-negro baixou e ela se transformou.

- AI, SEU JOÃO! NÃO POSSO NÃO SENHOR! OLHA COMO FICO NERVOSA, SEU JOÃO. EU NUNCA FUI AO MARACANÃ, O MEDO QUE TENHO É DE TER UM TROÇO LÁ DENTRO, SENHOR. E ESSE JOGO QUE NÃO CHEGA, SEU JOÃO. SE A GENTE NÃO FOR PRA LIBERTADORES VAI SER UMA DESGRAÇA, SENHOR!"

Nem de perto era a Dona Rosângela recatada e tímida! Muito menos a educadinha, pois gritava mais que um geraldino. Eu tava quase dando um ingresso pra ela, mas temi que tivesse um peripaque de alegria!
Já imaginaram quantas Dona Rosângela têm no meio da Nação?

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Então tá marcado. Nos encontramos aqui toda sexta-feira pra falar do Mengão e encher um pouco de lingüiça com histórias de filhos, amigos, jogo de botão, música, cachaça, política, churrasco, diversão e por aí vai...

Saudações Rubro-Negras!

Um grande abraço do João Tatá.*


Carioca repatriado após uma temporada de 14 anos em São Paulo. Conheceu a Fla-Sampa quando procurava companhia pra assistir a um jogo do Mengão na capital paulista. Adorou o convite para escrever no blog, com a condição de criar a coluna "Enchendo Lingüiça", pra jogar conversa fora.